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Mostrando postagens de novembro, 2021

"Um fim de mar colore horizontes"

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Com a primeira referência pautada no poema do “escrevinhador” Manoel de Barros - Um fim de mar colore horizontes - foi que iniciei a composição desta máscara. Quando o mar parece casa quais sentidos te convencem a regressar à terra? Envolver-se e aprofundar-se nos mistérios do mar de braços abertos é o mesmo que querer morrer? Trata-se de magia, ou romance suicida?   O mar e seus símbolos inconscientes abrigam a primeira vida, assistem o desenrolar do mundo e povoam a mente humana. Quais criaturas dançam em suas profundezas? Entre monstros e sereias, seres mitológicos e elementares... A máscara traz o rosto de uma num sem fim de possibilidades de vidas aquáticas.  

Começando a vida

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Ontem eu ouvi que estou começando a vida agora. Embora eu concorde com o contexto, pediria licença para flertar com outros termos: já comecei a vida faz um tempinho, agora eu passo a poder aproveitá-la. Aos poucos, com muito trabalho. Com o coração aberto e disposta a aprender, escutar mais que falar, e aceitar e respeitar, mesmo quando não consigo entender. Aos poucos a gente vai perdendo a necessidade de aprovação externa, mas vai assumindo cada vez mais um compromisso com o que mora dentro da gente. BH é casa também. Mas lar é o que tenho em meu coração. E é meu lar que faz eu me sentir pronta pra voar e pousar sempre e todas as vezes que eu puder. Por ora as palavras não vão dar conta da gratidão que sinto pelo acolhimento, pelo cuidado e pelos encontros dos últimos dias. Mas deposito minha ineficiência morfológica na esperança de que os tons frios desta foto sirvam de prova: não há preto ou branco, certo ou errado, erros ou acertos. O que há é um mar de cinza múltiplo em nuances. ...

Carta ao meu cirurgião

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Ei, Dr. Kléber! Pra escolher o livro fiquei na dúvida entre Bauman e Brecht, mas fiquei muito decepcionada quando descobri que parte considerável da obra do alemão é fruto de apropriações intelectuais das mulheres que passaram por sua vida. Sinto não ser o caso.  Debrucei-me, então, sobre os pensamentos de seu contemporâneo, embora mais novo, sociólogo polonês. Zygmunt já é tão presente que permito-me cortejá-lo em primeiro nome. Me sinto encantada por sua teimosia e rabugice, que se anuncia desesperançosa em relação à performance socioeconômica da humanidade ocidental, mas se dedica até o último suspiro de uma vida quase centenária a tentar nos inspirar a ampliar perspectivas com afinco, sobriedade e altivez: traços que enxergo ao me olhar no espelho, enquanto me desafio à auto compreensão de uma tela em processo, pintada por você. Obrigada pelo zelo em cada ponto. Pelo cuidado, pela segurança e pela elegância. De volta aos tempos líquidos, preciso confessar que a decisão de uma i...

Das mudanças

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  Quais podemos dizer que foram por nossa vontade? Em um corpo que habita o direito legítimo à autonomia presente nas transformações, há também questões das quais acreditei sem poder escolher. Didática na coleira invisível e cotidiana da castração consumista. Verdades que não são minhas, num corpo que é direito meu. De ficar. De mudar. Mas por que? A que custo? Aí tem que avaliar.

"Pra quem é nômade, ficar parado é ter as raízes arrancadas do lugar"

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  Esse é o Barco do Pedro.  Pedrinho  da  Praia , era como o chamavam. Mas Pedro também era do mato. Um sonhador nato. E amava cavalos. A  praia  veio depois. A areia instalou-se em seus poros, o mar em seus dias e o vento em seu nome. Pedrinho  queria voar, mas, acima de tudo,  Pedrinho  só queria o que não tinha. E nada parecia convencê-lo do contrário. Pedrinho  era nômade e ganhou uma casa. Recebeu ninho para aportar o barquinho e ganhar outras coisas com que se ocupar. Mas  Pedrinho  viu como ameaça. Zelo e graça o pareciam assustar. É que ele só sabia navegar e, na busca pelo que não tinha, encontrou mais do que esperava. Então  Pedrinho  aprendeu a voar. De barco, mas aprendeu. Mas  Pedrinho  ainda não tem o que também não tinha lá no mato. Nem mato, nem cavalo, nem asa, nem certeza. Mas  Pedrinho  tem a  praia . O barco, ainda ancorado, já não disfarça o peso do que foi conquistado....

Hoje eu fui confundida com uma mulher trans

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  Hoje eu fui confundida com uma mulher trans. Pra contratar um serviço precisei dar meu cpf e errei ao enviar o número: meio sem jeito pediram meu ‘nome oficial’, achando que ainda não tinha conquistado meu nome social. O amigo que mediava a compra resolveu e me contou depois. Não posso deixar dizer que a confusão me deixou feliz.     Com todo respeito ao corre de mulheres trans e travestis e a toda ordem de constrangimentos que elas são obrigadas a lidar, elas sempre me ensinam muito e são exemplo de força, ousadia, personalidade e beleza, desde sempre. Perto delas me sinto criança, então ser vista como elas só exalta minha potência. Aproveito pra mandar um beijo pra @ellareall, @angel.martins12, @maysabrizzon, @ribeirotyhanne, @afrontamc, @badgirlmatysha, @castielvitorino, @lauraaaa.oliveira e tantas outras que me ensinam tanto, só por existirem. Que atendimentos ocorram sempre com a educação e o respeito que todo ser humano merece.