Queda à eleganza
A queda mais elegante que já performei teve duas temporadas a primeira me pegou descalça, em terra molhada A fertilidade do solo distraiu minha atenção Andei rápido demais e, sem o aparato adequado, não teve jeito: fui pro chão. Só que fui com tanta elegância que o tempo de quem viu escolher se ria ou me ajudava a levantar foi a fração que precisei pra voltar a voar Então fui celebrar! No meu estilo preferido tem whisky, filé mignon e queijos finos Mas o meu estilo refinado exige distância do cinismo e da frieza habituais pros lados de lá Pra esquentar caí de novo! Mas com tanta elegância acumulada na caminhada entre taças e emoções encharcadas a queda surgiu como quem encerra um solo em quarta posição: - Foi cena ou foi queda? Perguntou preocupado. - Eu nunca sei direito qual é a diferença. Agradeci, sem opção.