"Pra quem é nômade, ficar parado é ter as raízes arrancadas do lugar"

 



Esse é o Barco do Pedro. Pedrinho da Praia, era como o chamavam. Mas Pedro também era do mato. Um sonhador nato. E amava cavalos. A praia veio depois. A areia instalou-se em seus poros, o mar em seus dias e o vento em seu nome.

Pedrinho queria voar, mas, acima de tudo, Pedrinho só queria o que não tinha. E nada parecia convencê-lo do contrário.

Pedrinho era nômade e ganhou uma casa. Recebeu ninho para aportar o barquinho e ganhar outras coisas com que se ocupar. Mas Pedrinho viu como ameaça. Zelo e graça o pareciam assustar.

É que ele só sabia navegar e, na busca pelo que não tinha, encontrou mais do que esperava.

Então Pedrinho aprendeu a voar. De barco, mas aprendeu. Mas Pedrinho ainda não tem o que também não tinha lá no mato. Nem mato, nem cavalo, nem asa, nem certeza. Mas Pedrinho tem a praia.

O barco, ainda ancorado, já não disfarça o peso do que foi conquistado. Pedrinho é um conquistador. Um desbravador. Mas Pedrinho só quer o que não tem. E nada parece convencê-lo do contrário.

E agora Pedrinho espera serrar as janelas pra voar com seu barco pelas nuvens de lembranças que ainda não tem. Porque Pedrinho é um sonhador nato. E nada parece convencê-lo do contrário. 

Porque é nômade a natureza de todos os sonhos.

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